Romance de banca: você tem vergonha do quê?

Romance de banca: você tem vergonha do quê?

 

Romance de banca: você tem vergonha do quê? // Sandra Canfield Ruth Langan Romance de banda Penny Jordan Patricia Potter Nora Roberts Literatura de massa Carole Mortimer Candace Camp Anne Weale Anne Mather Abra Taylor

Você com certeza conhece. E com certeza tem uma opinião formada, preconceituosa ou liberal sobre. Os romances de bancas há quase 30 anos tem marcado a produção editorial brasileira com suas altas vendas e críticas controversas a respeito de seu conteúdo e com um estigma que segue suas leitoras. Ele já foi chamado de literatura cor-de-rosa, livrinho água com açúcar e literatura de mulherzinha (o gênero chick-lit também é estereotipado com essa denominação).

Não estou aqui para fazer defesas ao gênero. E sim, já li romances de banca há muito tempo atrás. Se aparecer algum na minha frente, não teria problema em ler. Às vezes, sinto até falta de ler algo tão descompromissadamente. Leitura é leitura, literatura é literatura. Como todo tipo de arte, tem o fim em si própria. Além disso, ler é sempre uma atividade prazerosa e benéfica. Estudos garantem que a leitura de romances de banca proporciona os mesmos benefícios da literatura considerada conceituada.

Entre 1940 e 1960, um tipo de romance popular começou a ser traduzido pela Companhia Editora Nacional e formou a conhecida coleção Biblioteca das moças. Essa coleção deu origem ao gênero que conhecemos atualmente como romance de banca.

O romance de banca foi introduzido no Brasil na década de 70 pela pioneira Editora Nova Cultural que, atualmente, vende 2 milhões de cópias. No Brasil, há duas grandes editoras que atuam no segmento, a citada Editora Nova Cultural que é a maior e importa seus livros da norte-americana Kensington e a Harlequim Books Brasil, uma filial de uma editora canadense.

Os romances de banca obedecem a um padrão que torna quase impossível não reconhecê-lo: são baratos e vendidos principalmente em bancas de jornal, o que deu origem a seu nome principal, possuem títulos com sugestivos e, muitíssimas vezes, de gosto duvidoso e capas mais sugestivas ainda.

Os títulos e as capas chamam muita atenção e podem dar a uma sensação de desconforto  para o leitor que decide ler o livro em público. Acredito que isso impeça pessoas que querem conhecer o gênero e se sentem impedidas por essas características,.

As histórias também seguem um modelo: finais sempre felizes e protagonistas que devem passar pelo maior número de obstáculos para ficarem juntos.

As editoras lançam séries de livros, as mais famosas são as séries Sabrina, Bianca e Jéssica, sendo cada série voltada para uma temática: Sabrina são histórias atuais e tem protagonistas independentes; Bianca possui protagonistas sonhadoras e tem histórias situadas no passado; já Jéssica são as histórias mais picantes. Ainda há a série de Grandes clássicos e Clássicos históricos.

Romance de banca: você tem vergonha do quê? // Sandra Canfield Ruth Langan Romance de banda Penny Jordan Patricia Potter Nora Roberts Literatura de massa Carole Mortimer Candace Camp Anne Weale Anne Mather Abra Taylor

Eu já li romance de banca, na época minha série favorita era a Sabrina, pois as histórias tendem sempre um pouco para a comédia, lembrando um pouco as histórias dos filmes de comédia romântica e aos, agora famosos, livros de chick-lit.

Muitas escritoras de romances de banca fazem tanto sucesso que começam a escrever livros que serão vendidos em livrarias, mas com as mesmas características dos romances de banca. Então, existem livros em livrarias com conteúdo de romance de banca. E existem muitos! O grande exemplo de uma escritora que migrou do romance de banca é Nora Roberts com mais de 160 livros publicados (!!) e traduzidos para mais de 25 idiomas.

Há muitas outras escritoras de romances de banca que passaram a ser escritoras de romance de livraria, como Candace Camp, Anne Mather, Penny Jordan, Carole Mortimer, Patricia Potter, Anne Weale, Ruth Langan, Sandra Canfield e Abra Taylor, para citar algumas.

Devido a esse padrão sistemático de produção e escrita, atribui-se a leitura de romances de banca às pessoas com baixo nível de escolaridade. Entretanto, estudos mostram que essa conclusão é totalmente errada: as leitoras são mulheres de classe média, entre 20 e 40 anos e 80% trabalham.

Não há dúvidas que a leitura de qualquer tipo de literatura é positiva, porém acredito que deve-se sempre tomar cuidado com os extremos. Esse tipo de literatura faz parte da literatura de massa, onde estão englobados também os best sellers. A leitura da literatura de massa é considerada uma mediadora entre a leitura dessa e da outra literatura (a considerada literatura consagrada). É importante passar por essa ponte e experimentar novos tipos de literatura e, assim, aumentar a visão de mundo e as próprias perspectivas de vida.

Não é saudável, por exemplo, ler durante anos apenas romances de banca, pois se corre o risco de tornar-se uma pessoa com senso crítico limitado e assimilar somente a postura ideológica do tipo de mulher/homem retratado nesses romances. O mesmo raciocínio serve para a leitura única de clássicos. Claro que todos temos preferências, mas viver de acordo com opiniões e idéias extremas nunca é saudável.

Então, da próxima vez que você vir uma mulher (ou homem por que não?) lendo um livrinho com a capa com um homem musculoso sem camisa e uma mulher (muito provavelmente loura) com ares extasiados por sua beleza, não vá torcer o nariz: aquilo é só uma distração, não é um lembrete de solidão ou um aviso que ela precisa de um namorado! Assim como muitos best sellers que conhecemos (e adoramos) esses livros tem o papel é de entretenimento e (espera-se) intermediação para os (considerados) grandes livros da literatura.

Bibliotecária, leitora compulsiva, cinéfila amadora. 25 anos, há 8 com o "the one". Tímida e estabanada. Totalmente distraída, fico nervosa por nada e rápido, mas com a mesma velocidade, esqueço. Não guardo rancor por nada e por ninguém, mas tudo se soma para formar a personalidade das pessoas em minha cabeça. Não sou vingativa, mas sou pirracenta como uma criança. Sou flexível e tento ser prática. Procuro entender mesmo o que não concordo. Não sei receber elogios e não sei fazer críticas. Fico calada quando estou com raiva e depois solto tudo de uma vez só, sem medir as palavras. Sou apegada com o que e com quem gosto. Gosto de ser educada com todos mas às vezes digo respostas atravessadas sem perceber.
  • FlordaSerra

    Dri, adorei o tema! Vc ta certíssima! Essas pessoas que torcem o nariz para esse tipo de coisa são hipócritas! Mto bom! Parabéns mesmo! Gostei de ver um tema tão inusitado aqui pelo Ambrosia..

  • Catia

    Eu confesso que adoro esses livrinhos, fiz uma espécie de coleção. Para cada livro que li, dei uma pontuação de fraco à excelente. A maioria, baixo da internet (todos são antigos).
    Tenho esse hábito desde a adolescência.
    Alguns livros são bem chatinhos, outros já me fizeram chorar.
    Tenho minhas autoras preferidas como Diana Palmer (muitos a chamam de titia Palmeira) ou Susan Wiggs.
    Confesso que não gostava dos históricos, mas desde que comecei a ler, não parei mais. Além do romance, as histórias estão recheadas de aventura.
    Pra mim, esses livros servem de válvula de escape, eu estudo muitos assuntos e esses livros servem pra eu relaxar.
    Se servir como um dado para a pesquisa que você postou acima, tenho curso superior e 44 anos.
    Beijos

    • http://www.dasgurias.com Carol

      Também leio muitos romances de banca. Tento intercalar com outros tipos de livros, mas confesso que esses me fazem relaxar mais do que um livro com histórias mais densas. É como uma válvula de escape.

      Catia, fiquei curiosa em baixar tbm. Não sabia q existia esse tipo de livro em formato digital. :-)

      bjs!

  • juçara g luiz

    so´posso dizer que adoro todos não me canso de ler.